A Associação das Pequenas e Médias Empresas (APME) e a Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) renovaram o seu compromisso de cooperação institucional com o objectivo de tornar o mercado de capitais uma alternativa viável de financiamento para as PME moçambicanas. O encontro decorreu num momento simbólico que assinalou também a tomada de posse da nova direcção da APME, e destacou acções concretas para operacionalizar a parceria.
O foco da nova fase da aliança estará na disseminação de literacia financeira, no reforço da capacitação e na criação de condições reais para que empresas nacionais com potencial possam aceder aos diferentes mercados da Bolsa.
“O mercado de capitais ainda é um bicho-de-sete-cabeças para muitas PME. Cabe-nos desmistificá-lo, com acções práticas, formação e comunicação acessível”, destacou a direcção da APME, propondo a implementação de um programa anual de literacia financeira, recorrendo às plataformas da associação.
O Presidente da BVM, Pedro Cossa, reforçou a urgência de envolver as PME no processo de diversificação de fontes de financiamento:
“98% do nosso tecido empresarial é composto por PME. Mesmo que não cheguem à Bolsa de imediato, precisam melhorar práticas e estar preparadas. Isso começa com formação e acesso à informação.”
Com base na base de dados dos seus associados, a APME comprometeu-se a trabalhar com a BVM na identificação de empresas com perfil de entrada nos mercados do terceiro e segundo escalão da Bolsa, estabelecendo como meta apresentar resultados tangíveis até ao final deste ano — com pelo menos uma ou duas empresas preparadas para esse passo.
A BVM reconheceu que a implementação do anterior memorando de entendimento ficou aquém das expectativas, mas mostrou-se confiante de que esta nova etapa será marcada por maior pragmatismo e foco em resultados.
“Só assim poderemos dinamizar o mercado”, referiu a administração da Bolsa, sublinhando a importância da partilha de informação, do registo das empresas na Central de Valores Mobiliários e da criação de uma cultura de transparência financeira.
A renovação desta parceria reflecte uma visão partilhada: um mercado mais inclusivo, acessível às PME e capaz de oferecer alternativas sustentáveis ao crédito tradicional, num contexto de custos de capital elevados e desafios ao financiamento bancário.